quinta-feira, 22 de maio de 2008

A escala de Palermo

Comentamos já que além da escala de Torino, existe outra, mais técnica, chamada de Palermo. Esta mede a probabilidade de que um NEA colida contra a Terra, relativa à probabilidade esperada de que isto possa acontecer, e introduz um elemento que Torino não tem: o tempo. Vamos explicar isto.

As órbitas dos asteróides têm incertezas o que resulta em que existem muitas órbitas possíveis. Algumas delas podem coincidir com a Terra, outras não. Um valor da probabilidade de que o impacto possa acontecer obtem-se, por exemplo, por meio da divisão: órbitas que colisionam / total de órbitas.

A probabilidade esperada (técnicamente chamada background risk) é baseada na história da Terra, a partir dos registros geológicos, e nos diz qual é a probabilidade de que um asteróide de um tamanho determinado possa colidir com a Terra. Como a colisão do NEO com a Terra demorará um certo lapso, a probabilidade esperada mede a probabilidad de que no mesmo lapso outro asteróide chegue a chocar a Terra.

A escala é contínua e pode tomar tanto valores negativos como positivos. Em geral, quanto mais negativo o valor, menos chances tem o objeto de chocar com a Terra. Um valor maior a -2 merece atenção. Quando chega a 0 tem uma chance igual à probabilidad esperada de chocar com a Terra. Acima de +2 o risco é sério. O famoso Apophis atingiu em seus piores dias um valor igual a 1,10, porém hoje seu valor é -2,52 enquanto que 1950 DA tem um valor de 0,17 para sua colisião de 2880.

Não exite uma maneira fácil de comparar as escalas de Torino com a de Palermo. Ambas têm objetivos diferentes. A primeira pretende comunicar de maneira didática ao público leigo o perigo de uma colisão. Palermo é mais quantitativa e é utilizada por astrônomos, mas em termos gerais, um valor de Palermo menor o igual a -2 equivale a um Torino 0.

Detalhes Técnicos

Para quem quer entender um pouco mais como se calcula a escala de Palermo dou aqui algumas fórmulas.

Probabilidade esperada: Pe = 0,03 × E-0.8 (E é a energia em Megatons).

Escala Palermo: EP = Log10 (Pi/ ( Pe × T) ) (T é o lapso até a colisão acontecer).

A escala é logarítmica, o dobro significa 10 vezes mais. De acordo com esta definição, quando EP é igual a -2, a probabilidade de impacto é 1% da probabilidade esperada. Quando EP = 0, as probabilidades são iguais, entanto que um valor EP=2, indica uma probabilidade 100 veces maior.

3 comentários:

Squid disse...

Alguma noticia sobre o 2007 VK184, está na escala de torino 1.

Guillermo Giménez de Castro disse...

Efetivamente 2007 VK184, do tipo Apollo, é o único asteroide a ser um Torino 1, embora é quase um Torino 0. No site do programa NEO da NASA (http://neo.jpl.nasa.gov) obtemos as seguintes informações: Na escala Palermo ele tem um valor de -1,83 (maximo) com probabilidade de colisão de 0,00034 e 4 possíveis impactos diferentes. Mas ele não chega a medir 1 km, a colisão liberaria 150 megatons. Quanto as datas, apenas a primeira seria relevante e aconteceria no dia 3 de junho de 2048 (os demais encontros são Torino 0). Estes valores foram corrigidos em 7 de maio de 2008. Ele um bom candidato para ser varrido assim que alguma tecnologia estiver disponível.

Steven disse...

Parabéns pelo blog. Estava buscando uma explicação sobre a escala Torino e Palermo. O que suscitou minha curiosidade, foi um email que anda circulando acerca de um suposto asteroide, de 2 km, batizado de uNfz T7 e que teria um valor positivo na escala de Palermo. Segundo este email, a colisão se daria em 01.02.2010.
Alguma informação a cerca desta informação?